Ela sempre teve o poder da escolha em suas mãos mas sempre preferia
escolher nada,porque o nada para ela significava tudo.Fugia e se escondia em um
lugar onde sempre se escondia e sempre a encontravam,era isso que queria.Ser
encontrada.Nunca andava em linha reta,seus passos eram sempre tortos,porque
perder tempo buscando passos perfeitos por alguém não faria valer a pena o que se foi perdido.deitava no chão e se arrastava,pensava estar limpando seu
histórico de futilidades que o mesmo havia presenciado.Fazia isso todos os
dias,o nostálgico lhe parecia belo.Não se importava em nunca se importar,queria
mesmo é que os outros se importassem.O que nunca aconteceu.Cansou,gritou e
dormiu.Para sempre.
― Tu tens um jeito estranho de andar. ― Não lhe agrado? ― Tem mania de desgosto. ― E como ando? ― Como quem come. ― Come o que? ― Os outros. ― Sou vegetariana. ― Mas engole as pessoas. ― Não como porcaria. ― Então que faz comigo, minha querida? ― Te consumo. (Silêncio) ― Lembrou-me cigarros. ― Te vicio? ― Mata-me. Devagarinho… ― …de prazer.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
sábado, 5 de maio de 2012
Apenas poder dizer(...)
Queria me ver,mas me ver além do que vejo
no espelho,descobrir quem sou e porque me sinto assim.Me fecho,me protejo,não
deixo ninguém colorir minha alma preto e branco,talvez por medo da tinta
desbotar e ela voltar a ser preto e branco outra vez.Vejo as pessoas na rua
sempre tão auto-confiantes e isso me faz perceber o quão vazia eu sou por
dentro,o quão auto-protetora eu sou e o quão inútil isso faz de mim.As vezes me
pergunto elas também se sentem assim,sempre tão confusas de si
mesmas.Eu não me entendo,nunca me entendi,vivo em um eterno conflito comigo
mesma e isso não atinge só a mim.É um misto de amor e ódio que machuca,mas não
é culpa minha,por mais que eu queira não posso simplesmente não sentir.É um
turbilhão de sentimentos que me sufocam,parecem querer sair pra fora pela minha
boca mas eu não deixo,simplesmente á fecho.Eu sei que tudo isso vai me
destruindo aos poucos,vai acumulando e me corroendo por dentro mas eu não
consigo não ser assim,e por mais que eu tente é mais forte que eu.Eu sou
assim,não falo muito,prefiro observar,escrever.Talvez porque eu tenha plena
noção de que a vida não é um conto de fadas e de que a maioria das coisas que
as pessoas dizem são verdades momentâneas .Todos sempre parecem tão bem,com ego
e a auto-estima nas alturas enquanto eu apenas tento parecer um deles.Talvez um
dia quando eu tiver vivido mais do que vivi até hoje tudo isso faça sentido e
eu perceba que tudo foi necessário e que toda essa desorganização sentimental fez
por onde valer a pena.
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